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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Humanos são ‘programados’ para serem preguiçosos, sugere estudo

Uma corrida no parque ou ficar deitado no sofá da sala?

Se você preferiu a segunda opção, não tema: saiba que um estudo feito por pesquisadores da Universidade Simon Fraser, no Canadá, sugere que os humanos são biologicamente "programados" para serem preguiçosos.

A pesquisa mostrou que o sistema nervoso reprograma padrões de movimentos como andar em uma busca constante para gastar o mínimo de energia possível.

"E isso é uma notícia ruim para quem come muito", afirmou o professor de fisiologia Max Donelan, que é co-autor do estudo.

Durante o estudo, pesquisadores pediram a nove voluntários que usassem um tipo de aparelho ortopédico (como o da foto acima), que dificultasse o ato de caminhar.

Após alguns minutos, todos os voluntários já haviam modificado seu modo habitual de caminhar para usar menos energia, ou seja, queimar menos calorias.

Segundo os pesquisadores, o sistema nervoso continuou a aprimorar os movimentos do andar das pessoas para manter um baixo gasto de energia.

Eles afirma que as conclusões da pesquisa, divulgada na publicação Current Biology, se encaixam na "tendência" de usar o menor esforço possível nas tarefas físicas.

"Fornecemos uma base psicológica para essa preguiça ao demonstrarmos que mesmo em um movimento bem comum como andar, o sistema nervoso monitora, de maneira subconsciente, a energia usada e vai, continuamente, aprimorando e reaprimorando os padrões, em um exercício constante para se mover da maneira mais barata, com menos gasto calórico, possível."

Mesmo quando as pessoas optaram por correr, seus cérebros trabalhavam para que isso fosse feito da maneira mais eficiente possível.

Segundo Donelan, mais pesquisas são necessárias para ampliar o estudo e se ter uma compreensão melhor de como os milhares de músculos e nervos trabalhavam juntos para conseguir esse feito.

Fonte: BBC Brasil

domingo, 24 de maio de 2015

Como os olhos revelam nossos pensamentos

Dizem que os olhos são as janelas da alma e revelam emoções profundas.

Apesar de a Ciência moderna não reconhecer a existência de uma alma, ela sugere que há um tanto de verdade nesse ditado: os olhos não só refletem o que está acontecendo no cérebro como também podem influenciar a maneira como nos lembramos das coisas e tomamos decisões.

Nossos olhos estão em constante movimento e, enquanto alguns destes são controlados, muitos ocorrem inconscientemente.

Quando lemos, por exemplo, fazemos uma série de deslocamentos oculares muito rápidos, fixando o olhar em uma palavra após a outra – os chamados movimentos sacádicos. Mas ao percorrermos uma sala com os olhos, esse movimento é mais amplo.

Há ainda as pequenas movimentações involuntárias que fazemos com os olhos quando caminhamos, para compensar o balanço da cabeça e estabilizar o olhar. Isso sem falar nos rapidíssímos movimentos durante o sono que dão nome à fase REM ("Rapid Eye Movement").

O que se sabe agora é que alguns dos movimentos oculares podem ser realmente reveladores do nosso processo de pensamento.

Indicadores para adivinhações

Pesquisa publicada em 2014 por cientistas da Universidade de Leiden, na Holanda, mostra que a dilatação das pupilas está ligada ao grau de incerteza de uma pessoa durante uma tomada de decisão: se alguém está menos seguro sobre sua escolha, acaba ficando mais agitado, e suas pupilas se dilatam.

Essa alteração nos olhos também pode revelar o que a pessoa que tomou uma decisão está prestes a dizer. O estudo descobriu, por exemplo, que observar a dilatação possibilita prever quando uma pessoa cautelosa que sempre responde "não" está à beira de anunciar que optou por um "sim".

Observar os olhos pode até mesmo ajudar a prever o número que uma pessoa tem em mente. Pesquisadores do departamento de Psicologia da Universidade de Zurique recrutaram 12 voluntários e descobriram que a direção e a amplitude dos movimentos dos olhos antecipavam com precisão se o número que eles estavam prestes a dizer era maior ou menor do que o anterior – e qual a diferença entre os dígitos.

O olhar de cada voluntário se deslocava para cima e para a direita antes que eles dissessem um número maior, e para baixo e para a esquerda antes de um menor. Quanto mais extrema a mudança de um lado para o outro, maior a diferença entre os números.

Isso sugere que nós, de alguma forma, vinculamos representações numéricas abstratas no cérebro ao movimento espacial.

Mas o estudo não nos diz se o pensamento em um determinado número provoca alterações na posição dos olhos, ou se é a posição do olho que influencia nossa atividade mental.

Em 2013, pesquisadores na Suécia publicaram provas de que a última hipótese é que vale: os movimentos dos olhos podem realmente facilitar a recuperação da memória.

Memória visual

Eles recrutaram 24 estudantes e pediram para cada um observar cuidadosamente uma série de objetos mostrados a eles no canto de uma tela de computador. Em seguida, os voluntários escutavam afirmações sobre o visual de alguns dos itens e tinham que responder rapidamente se eram falsas ou verdadeiras.

Alguns participantes foram autorizados a deixar seus olhos vagar livremente; outros foram orientados a fixar o olhar em uma cruz no centro da tela ou no canto onde o objeto tinha aparecido.

Os cientistas notaram que aqueles que tinham permissão para mover os olhos espontaneamente durante o questionário se saíram significativamente melhor do que aqueles que tiveram que fixar o olhar na cruz.

Curiosamente, porém, os voluntários que foram orientados a fixar o olhar no canto da tela tiveram um melhor desempenho do que os demais.

Isso sugere que os movimentos oculares mais próximos daqueles realizados durante a codificação da informação correspondem aos que ocorrem durante a recuperação dessas informações.

Isso pode ocorrer porque os movimentos dos olhos nos ajudam a recordar as relações espaciais entre objetos no ambiente no momento da codificação.

Esses movimentos dos olhos podem ocorrer inconscientemente. "Quando as pessoas estão olhando para cenas que já assistiram antes, seus olhos são frequentemente atraídos para informações já vistas, mesmo quando elas não têm nenhuma memória consciente disso", diz Roger Johansson, psicólogo da Universidade de Lund, que liderou o estudo.

Influenciando decisões

A observação dos movimentos oculares também pode ser usada para dar um empurrãozinho para que alguém mude de ideia sobre determinado assunto. Talvez seja preocupante, mas um estudo recente da University College London, na Grã-Bretanha, mostrou que rastrear o olhar pode servir para influenciar decisões.

No estudo, pesquisadores questionaram os voluntários sobre assuntos morais - por exemplo, se acreditavam em afirmações como "um assassinato pode ser justificável". Em seguida, eram exibidas na tela duas alternativas ("às vezes justificável" ou "nunca justificável").

Ao rastrear os movimentos dos olhos dos participantes, e removendo as duas opções de resposta imediatamente após um participante ter passado um determinado período de tempo olhando para uma das duas opções, os cientistas descobriram que podiam fazer os voluntários escolher aquela opção como a sua resposta.

"Não demos a eles nenhuma informação", diz o neurocientista Daniel Richardson, da Universidade College London, autor principal do estudo. "Simplesmente esperamos por seus próprios processos de tomada de decisão e os interrompemos exatamente no ponto certo. Conseguimos fazer eles mudarem de ideia apenas controlando o momento em que tomaram a decisão."

Rastreamento invasivo

A onipresença de aplicativos de rastreamento ocular para smartphones e outros dispositivos portáteis aumenta a possibilidade de alterar o processo de tomada de decisão das pessoas remotamente.

"Se você está fazendo uma compra online, sua decisão pode ser influenciada por uma oferta como frete grátis, no momento em que você mudar o seu olhar para um determinado produto", afirma Richardson.

Portanto, os movimentos dos olhos podem tanto refletir e influenciar importantes funções mentais, como a memória e a tomada de decisões, como trair nossos pensamentos, crenças e desejos.

Esse conhecimento pode nos ajudar a melhorar nossas funções mentais - mas também nos deixa vulneráveis à manipulação sutil por outras pessoas.

"Já vi aplicativos de rastreamento ocular sendo utilizados para, por exemplo, descobrir qual a função de telefone que você precisa", acrescenta o neurocientista. "Mas se eles forem deixados ligados o tempo todo, poderão ser usados para rastrear outro tipo de informações."

Fonte: BBC Brasil

terça-feira, 28 de abril de 2015

Estudo liga dores crônicas na coluna a 'defeito' na evolução

Chimpanzé

Um novo estudo afirma que pessoas com problemas na coluna lombar podem tê-los "herdados" de um defeito ocorrido ao longo do processo de evolução.

Segundo cientistas, essas pessoas teriam uma coluna em formato mais parecido com a de chimpanzés, o mais próximo ancestral humano.

Um 'nó' nos discos da coluna deixa o alinhamento das vértebras mais parecido com o dos animais do que com as vértebras normais de humanos.

Os cientistas acreditam que uma lesão tivesse feito com que a coluna evoluísse de forma diferente em pessoas, conforme o ser humano evoluía para caminhar sobre duas pernas.

Evolução 'imperfeita'

Pesquisadores acreditam que a descoberta podem ajudar médicos a prever quem corre o risco de problemas lombares.

Publicado na revista científica BMC Evolutionary Biology, o estudo reuniu especialistas de Escócia, Canadá e Islândia.

A equipe de pesquisadores analisou as vértebras de chimpanzés, orangotangos e esqueletos primitivos humanos para investigar o relacionamento entre o formato da coluna vertebral, movimento ereto e a saúde da espinha humana.

Mark Collard, da Universidade de Aberdeen (Escócia), disse que as análises forneceram informações valiosas sobre a saúde e estilo de vida de nossos ancestrais.

Os esqueletos também forneceram informações sobre como os humanos evoluíram para caminhar nas "patas traseiras".

"Descobrimos que as vértebras de humanos com problemas de disco são mais parecidas em formato com a dos chimpanzés do que com as vértebras normais de humanos", explica Collard.

Pesquisadores constataram que estes indivíduos têm uma lesão chamada nó de Schmorl - uma pequena hérnia de disco.

Embora não haja uma causa específica para o nó, ele pode estar ligado ao estresse e à carga sobre coluna lombar.

A evolução não é um processo perfeito, então durante milhares de anos os humanos não se adaptaram da mesma maneira.

"Nosso estudo sugere que a vértebra de algumas pessoas pode ser menos adaptada para andar de forma ereta".

Fonte: BBC Brasil

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Ciência identifica atividades físicas que mais ajudam o cérebro

Credito: Thinkstock

Que exercícios fazem bem para a saúde, todo mundo já sabe; mas o que é menos conhecido são os benefícios dos esportes sobre o funcionamento do cérebro, a "saúde da mente".

"Há várias décadas se acumulam evidências indicando os benefícios da atividade física, tanto aeróbica como de força (ou resistência), na função cognitiva, tempo de reação e memória, entre outras propriedades", disse à BBC César Kalazich, especialista em medicina desportiva da clínica MEDS, no Chile.

Embora as pesquisas indiquem que qualquer atividade física, incluindo caminhadas, seja benéficas, há evidências de que nem todas contribuem da mesma forma ou geram os mesmos efeitos para a saúde.

Esgrima

Um estudo publicado em 2012 pela Universidade Foro Itálico de Roma comprovou que os esportes que requerem tomar decisões em frações de segundos melhoram a função cognitiva tanto em pessoas jovens como em idosos, o que permite reduzir problemas associados ao envelhecimento.Credito: Getty

A pesquisa partiu da premissa de que atividades em que participantes precisam se mover de forma constante e adaptar-se rapidamente às mudanças que ocorrem, como a esgrima, podem compensar os efeitos relacionados ao passar dos anos, como problemas de aprendizagem, de memória e tempo de reação.

"É mencionado o efeito que este tipo de disciplina tem na execução de funções e nos tempos de reação em sujeitos de meia-idade - de 55 a 65 anos-, comparados com outros tipos de exercício e com pessoas sedentárias", afirmou Kalazich.

Para diferenciar os esportes, os pesquisadores estabeleceram duas categorias: abertos e fechados.

Credito: Getty

"Os esportes considerados de habilidades abertas - em que a tomada de decisões rápidas, reações instantâneas, de precisão em velocidade são a premissa - seriam, por exemplo, futebol, basquete, vôlei, esgrima, tênis de mesa (ping pong), hockey etc."

"Os outros, de habilidades fechadas (repetição de movimentos, ritmo estável), seriam atletismo, ciclismo, boliche e patinação, entre outros", explicou o especialista em medicina esportiva.

Combinação

Um dos líderes da pesquisa, Francesco Di Russo, contou ao jornal The Washington Post que esportes como esgrima requerem tomadas rápida de decisões e demandam um alto grau de atenção visual e flexibilidade.

"Queríamos ver se o esporte ajudaria a manter o cérebro rápido e efetivo, reduzindo o envelhecimento cognitivo", afirmou Di Russo.

Para Kalazich, é possível que exista uma combinação de elementos, porque também se observou "que estimular o cérebro com leitura ou jogos tem efeitos semelhantes".

"Então haveria uma soma da estimulação cerebral/intelectual do esporte específico de habilidades abertas aos benefícios que provoca o exercício em si."

Desde cedo

O consenso entre os especialistas em medicina desportiva é que a atividade física oferece benefícios a pessoas de qualquer idade e que é melhor começar tarde do que nunca.

Credito: Thinkstock

"Observou-se que pacientes idosos melhoram parâmetros como memória, capacidade de reação e capacidade cognitiva em poucos meses (de 3 a 6 meses) a partir de uma rotina de exercícios com orientação."

Mas ele esclarece que é evidente que os benefícios aumentam se os exercícios começam a ser feitos mais cedo.

"O ideal é começar a praticar exercícios durante a infância, para que isso tenha influência na plasticidade cerebral e na aprendizagem de habilidades de coordenação e capacidade aeróbica e força."

"Um conceito bem interessante e cada vez mais estudado é o da plasticidade neuronal [capacidade de os neurônios formarem novas ligações], que é muito importante para o crescimento e a aprendizagem de crianças e adolescentes", acrescentou o especialista da Clínica MEDS.

"Isso não se perde nos adultos, mas pode ser estimulado significativamente com os exercícios mencionados."

Kalazich considera que o estudo da universidade italiana oferece um ponto de partida sobre que tipo de exercícios e em que dose são os mais adequados para as distintas idades e capacidades, mas diz que "ainda há muito a investigar".

Conteúdo: BBC Brasil

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Os segredos do poder de manipulação

Em geral, nós gostamos da ideia de sermos donos de nossas próprias escolhas. Mas será que somos mesmo?

Jay Olson, pesquisador do Departamento de Psiquiatria da Universidade McGill, em Montreal, no Canadá, acredita que não. “O que a Psicologia está descobrindo cada vez mais é que muitas decisões que tomamos são influenciadas por fatores dos quais não temos consciência”, explica.

Recentemente, Olson desenvolveu um engenhoso experimento que demonstra como é fácil manipular alguém mesmo com uma persuasão quase imperceptível.

Praticante de truques de mágica desde os 7 anos, Olson notou, quando começou a estudar Psicologia, que muito do que aprendia sobre a mente humana casava com aquilo que seu hobby já o tinha ensinado, principalmente no que se refere à atenção e à memória.

Questão de segundos

O toque e o contato visual são maneiras de fazer alguém baixar a guarda.

Em seu mestrado, ele realizou vários truques com voluntários, mas um em particular o ajudou a concluir fatos importantes sobre a influência e a persuasão.

A mágica consiste em rapidamente manipular um baralho na frente de um voluntário e depois pedir para que ele escolha uma carta qualquer. O ilusionista, então, tira uma carta idêntica de seu bolso – para a surpresa e deleite da plateia.

O segredo do mágico é já escolher ele mesmo uma carta e passar alguns milésimos de segundo a mais com ela na mão enquanto o baralho é manipulado. Isso influencia o voluntário a pegar justamente aquela carta.

Olson percebeu que conseguiu direcionar 103 de 105 participantes. Mas foi a segunda parte da experiência que mais surpreendeu o psicólogo. Quando interrogou os voluntários depois, viu que 92% deles não tinham ideia de que estavam sendo manipulados e acharam que estavam no total controle de suas próprias decisões.

O pesquisador também descobriu que aspectos como a personalidade do voluntário não tinham relação com o quanto ele pode ser influenciado – todos pareciam igualmente vulneráveis.

Mensagens sutis

Experimento mostrou que clientes compraram mais vinhos franceses ao ouvir música francesa

As implicações dessa experiência vão muito além do palco e deveriam servir para reconsiderarmos nossas percepções sobre nossa vontade própria.

Apesar de termos uma grande sensação de liberdade, nossa capacidade de tomar decisões deliberadas pode ser uma ilusão. “A liberdade de escolha é só um sentimento – não está ligada à decisão em si”, afirma Olson.

Não acredita nele? Lembre-se quando você for a um restaurante. Segundo Olson, o cliente tem mais chances de pedir o prato que está no topo ou na parte de baixo do cardápio porque essas são as áreas que mais atraem o olhar. “Mas se alguém perguntar o porquê da sua escolha, você dirá que está com vontade de comer aquilo, sem perceber que o restaurante deu uma forcinha”, diz.

A psicóloga Jennifer McKendrick, da Universidade de Leicester, na Grã-Bretanha, concluiu, em um estudo, que o simples fato de um supermercado tocar uma música ambiente francesa ou alemã fazia as pessoas comprarem vinhos desses países.

Segundo membros da campanha de Al Gore à Presidência dos Estados Unidos em 2000, seus rivais republicanos faziam a palavra “RATS” (“ratazanas”) aparecer por milésimos de segundos em anúncios que traziam imagens do democrata, o que teria espantado muitos de seus eleitores.

O psicólogo Drew Westen, da Emory University, em Atlanta, criou um candidato fictício e inseriu a suposta mensagem subliminar em seus anúncios, notando que voluntários o avaliavam negativamente.

Outra experiência mostrou ainda que representantes de vendas por telefone registraram uma performance melhor apenas por ter visto a foto de um atleta ganhando uma corrida – mesmo sem se lembrarem dela depois.

Como perceber a manipulação

Fazer uma ideia sua parecer de outra pessoa também é uma maneira de influenciar.

Evidentemente, esse tipo de conhecimento pode ser usado para a coerção se cair nas mãos erradas. Por isso, é importante saber quando outras pessoas estão tentando convencê-lo de algo sem que você perceba.

Com base em artigos científicos, aqui estão quatro atitudes manipuladoras fáceis de identificar:

1 – O poder do toque

Um tapinha nas costas seguido por um contato visual pode levar uma pessoa a baixar mais a guarda. É uma técnica que Olson usa em seus truques, mas que pode funcionar no cotidiano.

2 – A velocidade da fala

Olson diz que mágicos sempre tentam apressar seus voluntários para que eles escolham a primeira coisa que vem à sua mente – em geral a ideia que ele plantou. Uma vez que a pessoa fez sua opção, o performer passa a falar de maneira mais relaxada.

Ao se lembrar da experiência, o voluntário tende a pensar que o tempo todo foi livre para tomar suas próprias decisões, em seu ritmo.

3 – Atenção a seu campo de visão

Ao passar mais tempo manipulando uma determinada carta de baralho, Olson a torna mais “saliente”, fazendo-a se fixar na mente do voluntário sem que este perceba.

Há muitas outras maneiras de fazer coisas semelhantes: colocar um objeto na linha do olhar da outra pessoa ou mover algo ligeiramente mais perto de um alvo, por exemplo. Pelos mesmos motivos, acabamos escolhendo a primeira coisa que nos é oferecida.

4 – Algumas perguntas plantam ideias

Quando alguém faz uma sugestão e pergunta aos demais coisas como “Por que você acha que isso é uma boa ideia?” ou “Na sua opinião, quais as vantagens disso?”, está, na realidade, deixando os outros se convencerem a respeito de certas questões por conta própria.

Pode parecer óbvio, mas fazer com que as pessoas reflitam a partir de ideias embutidas nas perguntas significa que elas ficarão mais confiantes em tomar decisões de longo prazo – mesmo não tendo sido ideia delas.

Conteúdo: BBC Brasil

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Novas vacinas têm resultados promissores no combate ao câncer. Entenda

O estudo feito por pesquisadores americanos, foi publicado nesta quinta-feira em uma edição especial da revista 'Science' dedicada aos avanços da imunoterapiaSistema imunológico: células de defesa do organismo destróem células cancerígenas

Uma nova técnica de imunoterapia, uma vacina personalizada que ataca os tumores, mostrou sinais promissores em três pacientes diagnosticados com melanoma, a forma mais agressiva de câncer de pele. Os resultados dessa abordagem, publicados nesta quinta-feira em uma edição especial da revistaScience que dedica cinco análises aos avanços da imunoterapia, revelam que os pacientes mostraram uma forte resposta imune, capaz de combater a doença.

Para isso, os pesquisadores da Universidade Washington de Saint Louis, nos Estados Unidos, compararam o genoma dos tumores de cada paciente com a carga genética do tecido saudável para identificar as proteínas mutantes do tumor, chamadas neoantígenos. Usando modelos de computador, os cientistas descobriram quais desses neoantígenos poderiam obter respostas mais fortes do sistema imunológico e, a partir disso, fabricaram vacinas para cada indivíduo. No mês seguinte, exames de sangue mostraram que o sistema imune dos pacientes estava respondendo ativamente às mutações.

O grande atrativo da pesquisa é que os cientistas conseguiram, por meio desta nova técnica, conceber vacinas personalizadas, uma abordagem que pode ser promissora no futuro. No entanto, os pesquisadores ressaltam que é cedo para afirmar se ela funciona para combater ao câncer. Neste ano, estão planejados estudos com um número maior de participantes.

"Esse é apenas o primeiro passo. Ainda é necessário acompanhar as respostas desses pacientes por longo prazo, além de ter outros estudos com mais pessoas e para outros tipos de câncer. O mérito desse estudo é que os cientistas conseguiram selecionar com precisão os neoantígenos e mostraram que os pacientes respondem a eles", afirma José Augusto Rinck Jr., médico oncologista do hospital A. C. Camargo. "É mais uma pesquisa a mostrar que a imunoterapia é uma estratégia promissora de combate ao câncer."

Avanço do Ano - O objetivo da edição especial da Science é ressaltar o desenvolvimento científico da imunoterapia e analisar o que precisa ser feito para que ela continue a evoluir e apresentar resultados. De acordo com a revista, há relatos de recuperações "espantosas" descritas nos artigos da edição, que analisam as diferentes técnicas de imunoterapia, como a descrita pelos pesquisadores americanos, e sugerem o que ainda precisa ser feito para que o tratamento se transforme em uma maneira eficaz de combate ao câncer.

O objetivo da imunoterapia, uma estratégia conhecida há mais de cinquenta anos, é estimular o sistema imunológico do paciente para promover a cura. Ela foi classificada como Avanço do Ano pela Scienceem 2013, quando seus resultados começaram a se tornar mais robustos. Os estudos feitos desde então mostram que o tratamento é capaz de fazer com que pacientes em estágio avançado da doença sobrevivam por mais tempo que o esperado. Há casos de pessoas que chegaram até mesmo a erradicar os tumores.

O melanoma é o tipo de tumor que responde melhor à terapia, mas resultados também têm sido promissores para câncer de próstata, pulmão, rim, bexiga, pescoço e ovários. Em conjunto, as análises da Science desenham um futuro promissor para o tratamento, apesar dos atuais obstáculos, como os efeitos colaterais e sua eficiência ainda para um pequeno número de pessoas.

"A estratégia tem chamado a atenção da comunidade científica em todo o mundo e será o foco de mais da metade dos estudos que serão apresentados este ano na Conferência da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, o maior evento da área. Estamos prestando cada vez mais atenção nessas pesquisas e nas novas drogas desenvolvidas, que podem ser uma forma realmente eficiente de combate da doença no futuro", afirma Rinck Jr.

Fonte: Veja

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Bálsamo medieval com alho, cebola e bile de vaca mata superbactérias

Foto: Biblioteca Britânica/ © The British Library Board (Royal 12 D xvii)

Um tratamento de mil anos de idade, usado na Idade Média para combater infecções nos olhos, pode ser a chave para acabar com as superbactérias resistentes a antibióticos, de acordo com pesquisadores da Universidade de Nottingham, na Grã-Bretanha.

Os cientistas recriaram um remédio anglo-saxão do século 10 que continha cebola, alho, vinho e bile de vaca.

O grupo se surpreendeu ao descobrir que este remédio antigo exterminou quase que completamente, em até 90%, o Staphylococcus aureus resistente à meticilina (SARM).

O remédio foi descrito em um antigo manuscrito anglo-saxão com instruções sobre tratamentos e bálsamos, o Bald's Leechbook, que está na British Library.

O manuscrito é tido como um dos primeiros exemplos de "livro medicinal", segundo Tom Feilden, editor científico do programa Today, da BBC.

Para os olhos

A especialista em cultura anglo-saxônica Christina Lee, da Universidade de Nottingham, traduziu a receita de um "bálsamo para os olhos, feito com alho, cebola ou alho-porro, vinho e bile de vaca".

"Escolhemos esta receita porque contém ingredientes, como o alho, que estão sendo investigados por cientistas do presente por sua potencial eficácia em tratamentos com antibióticos", disse a especialista que teve a ideia de provar a cientificamente o efeito do remédio.

"Algumas palavras eram ambíguas e tivemos que pensar muito para saber a qual ingredientes se referiam", disse Freya Harrison, pesquisadora da Escola de Ciências da Vida da mesma universidade.

"Reconstruímos (a receita) da forma mais fiel que pudemos", acrescentou Harrison.

Receita detalhada

A receita descreve uma forma muito específica de obter o bálsamo, que inclui a utilização de uma vasilha de metal para ferver a mistura em água e deixar descansando durante nove dias.

Thinkstock

Os pesquisadores provavam todos os ingredientes frescos separadamente, assim como o remédio em seu conjunto e também uma solução de controle, sem os componentes vegetais.

O remédio resultante da receita medieval exterminou até 90% de bactérias cultivadas em laboratório, tanto em feridas sintéticas como em feridas reais infectadas em ratos.

Harrison afirmou que a equipe esperava que o bálsamos demonstrasse "certa atividade antibiótica".

"Mas ficamos espantados ao ver a eficácia da combinação de ingredientes", afirmou.

Os cientistas diluíram a mistura para testar a dosagem ideal contra uma infecção real em uma pessoa.

Eles concluíram que, quando muito diluído, o remédio não consegue matar oStaphylococcus aureus resistentes à meticilina (SARM), bactéria que gera infecções na pele e no sangue. Mas, mesmo diluído, o remédio consegue interferir na comunicação celular da bactéria.

Para os pesquisadores esta é uma "conclusão chave", já que as células precisam se comunicar para ativar os genes que permitem que elas causem danos nos tecidos infectados.

Os microbiólogos acreditam que bloquear esta comunicação seria uma forma alternativa de tratar infecções.

As conclusões da equipe de pesquisadores serão apresentadas na Conferência Anual da Sociedade de Microbiologia Geral, em Birmingham.

"Parece que os médicos anglo-saxões puseram em prática algo bem próximo dos métodos científicos modernos com sua ênfase na observação e na experimentação", disse Tom Feilden à BBC.

"O Bald's Leechbook pode conter lições importantes para nossa batalha atual contra a resistência a antibióticos", acrescentou.

A receita do bálsamo para os olhos de Bald

  • Misturar uma quantidade semelhante de alho com cebola ou alho-poró, picada e esmagada em um pilão durante dois minutos.
  • Adicionar 25 ml de 'vinho inglês', extraído de um vinhedo histórico perto de Glastonbury, que já existia no século 9, para tentar reproduzir a receita da forma mais fiel.
  • Dissolver sais biliares bovinos em água destilada e então manter a mistura fria, a quatro graus, durante nove dias.

Fonte: BBC Brasil

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Por dentro da mente em estado vegetativo

"Imagine acordar e perceber que você está trancado dentro de uma caixa", diz Adrian Owen. "É uma caixa que envolve você com tanta perfeição e é tão bem ajustada a seu corpo que ela prende seus lábios, lhe impedindo de falar, mesmo que possa perceber o que acontece ao seu redor."

Owen e eu estamos conversando por Skype. Eu, em Londres, e ele, a mais de 5,5 mil quilômetros, na Universidade de Western Ontario, no Canadá. Owen aparece em minha tela e vai ficando cada vez mais animado ao falar do tormento dessas pessoas sem voz: seus pacientes.

Pessoas que estão no chamado estado vegetativo podem abrir e até mover os olhos. Podem sorrir, agarrar a mão de alguém, chorar, gemer e grunhir. Mas não conseguem reagir a um ruído repentino ou entender o que é dito à sua volta.

Elas parecem ter perdido suas memórias, suas emoções e suas intenções – todas as qualidades que fazem de cada um de nós um indivíduo. Ainda assim, de vez em quando nos perguntamos se elas não teriam mesmo um pouco de consciência do que está acontecendo.

Uma década atrás, a resposta seria um redondo "não". Mas agora é diferente. Usando aparelhos de tomografia e ressonância magnética, Owen descobriu que algumas pessoas podem estar presas em seu próprio corpo mas conseguem pensar e sentir em intensidades variáveis.

Decisão consciente

Mentes aprisionadas, danificadas ou com capacidade diminuída habitam clínicas e asilos em todo o mundo. Só na Europa, estima-se que cerca de 230 mil pessoas entrem em coma a cada ano, das quais aproximadamente 30 mil ficarão em um permanente estado vegetativo. Elas representam um dos mais trágicos e caros casos da medicina intensiva moderna.

Ressonância magnética funcional de cérebro

Esses pacientes apareceram pela primeira vez com a criação do respirador artificial, durante os anos 50, na Dinamarca. Foi uma invenção que redefiniu o conceito de morte, até então declarada quando o coração parava de bater e hoje decidida com base na paralisação das atividades cerebrais.

Nos anos 60, o neurologista americano Fred Plum e o neurocirurgião escocês Bryan Jennett realizaram um trabalho pioneiro na compreensão e classificação dos distúrbios de consciência. Plum cunhou o termo "síndrome do encarceramento" para definir o estado no qual o paciente está desperto e consciente, mas não pode se mexer nem falar.

Os dois cientistas adotaram a classificação "estado vegetativo permanente" para os pacientes que, segundo eles, "alternam períodos de despertar, quando seus olhos abrem e se movem, mas têm respostas limitadas a movimentos de reflexo e nunca conseguem falar".

Tomografia reveladora

Em 1997, a professora britânica Kate Bainbridge, então com 26 anos, entrou em coma e permaneceu em estado vegetativo após contrair uma infecção. Ela se tornou a primeira paciente a ser estudada pelo Centro de Imagens Cerebrais da Universidade de Cambridge, onde Adrian Owen trabalhava.

Os resultados dos estudos, publicados um ano depois, foram inesperados e extraordinários. Kate não só reagia ao ver rostos conhecidos como também as respostas de seu cérebro eram semelhantes àquelas de voluntários saudáveis.

Ela se tornou a primeira pessoa na qual exames sofisticados, como a tomografia por emissão de pósitrons (PET, na sigla em inglês), revelaram uma "cognição oculta".

As conclusões foram importantíssimas para a ciência, mas também para Kate e seus pais. "A existência de um processamento cognitivo preservado removeu o niilismo que permeava o cuidado desses pacientes, e apoiou a decisão de continuar um tratamento intensivo com Kate", lembra David Menon, pesquisador naquela unidade da Universidade de Cambridge e médico que supervisionou o caso de Kate.

Seis meses depois do primeiro diagnóstico, Kate despertou do estado vegetativo.

Sua recuperação foi gradual. Só 12 anos depois conseguiu voltar a falar, e ainda precisa de cadeira de rodas. "Eu não respondia e parecia não ter saída, mas foram as tomografias que mostraram que eu ainda estava ali", conta.

Cena de 'Fale com Ela", de Pedro Almodóvar

Em um campus ao sul de Liège, na Bélgica, Steven Laureys estuda há décadas pacientes em estado vegetativo. Nos anos 90, tomografias PET mostraram que seus pacientes respondiam ao ouvirem seus próprios nomes: havia uma mudança no fluxo de sangue dentro da região cerebral responsável pela audição.

Enquanto isso, do outro lado do Atlântico, Nicholas Schiff descobria que alguns pacientes com lesões cerebrais catastróficas mantinham pequenas regiões de atividade neural.

Em 2006, Owen e Laureys tentavam encontrar uma maneira de se comunicar com pacientes em estado vegetativo. Uma destas era Gillian [seu nome verdadeiro foi trocado a pedido], de 23 anos, atropelada por dois carros ao atravessar a rua falando no celular.

Cinco meses depois, um estranho acaso permitiu que Gillian destrancasse a caixa em que vivia. A chave surgiu de um estudo sistemático que os dois cientistas desenvolveram um ano antes.

Eles pediram para voluntários saudáveis se imaginarem jogando tênis. Em seguida, deviam imaginar que estavam caminhando pelos vários aposentos de suas casas.

A visualização de um jogo de tênis ativa uma parte do córtex responsável pela estimulação mental de movimentos, a área motor suplementar. Mas imaginar caminhar pela casa ativa o giro parahipocampal, que fica no centro do cérebro, além do lobo parietal posterior e o córtex premotor lateral.

São modelos de atividades completamente opostos, como se jogar tênis fosse um "sim" e andar pela casa fosse um "não".

Observando o cérebro de Gillian com o tomógrafo, Owen pediu que ela se imaginasse nas mesmas situações – e viu uma incrível semelhança entre os padrões de ativação que notou nos voluntários. Foi um momento eletrizante. Owen podia "ler" a mente de Gillian.

Diagnósticos mais baratos

O caso de Gillian foi publicado na revista científica Science em 2006 e ganhou as manchetes em todo o mundo. Mas atraiu uma boa quantidade de ceticismo por parte de cientistas que gostariam de ver mais evidências.

Em 2010, Owen, Laureys e outros colegas publicaram um estudo com 54 pacientes diagnosticados em estado vegetativo ou minimamente conscientes. Cinco responderam da mesma maneira que Gillian.

Os cientistas admitiram que as áreas cerebrais que eles estudaram podem ser ativadas com outros estímulos. Mas afirmaram que "as ativações persistiam por tempo demais para significar outra coisa senão intenção".

Desde o artigo de 2006, estudos feitos na Bélgica, na Grã-Bretanha, nos Estados Unidos e no Canadá sugerem que uma parcela significativa dos pacientes classificados como vegetativos nos últimos anos receberam um diagnóstico errado – segundo Owen, 20% deles. Já Schiff acredita que 40% desses pacientes, quando examinados com mais atenção, mostram estar parcialmente conscientes.

Schiff acredita que após o primeiro diagnóstico, pouco esforço é feito no sentido de explorar a função cerebral desses pacientes de maneira mais sistemática. Alguns cientistas estão desenvolvendo leituras com equipamentos mais baratos e mais portáteis do que o pesado maquinário de tomografia e ressonância magnética. Uma promessa é o eletroencefalograma que está sendo testado por Owen.

Schiff acredita que uma combinação de aparelhos, medicamentos e terapias celulares poderá servir de base para uma nova geração de diagnósticos e tratamentos, iluminando a penumbra entre o consciente e o inconsciente.

Muitos dos trabalhos realizados até hoje demonstraram a importância das imagens cerebrais para esses pacientes, com alguns deles sendo até capazes de dizer a seus médicos se precisam ou não de analgésicos.

Fonte: BBC Brasil

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Testículos são o tecido ‘mais notável’ do corpo humano, aponta estudo

Estátua de David, em Florença, na Itália | Foto: Thinkstock

Os testículos foram identificados como o tipo "mais peculiar" de tecido do corpo humano, em um atlas produzido pelo Instituto Real de Tecnologia na Suécia.

O Atlas das Proteínas Humanas foi descrito com "um fundamento realmente importante" para a pesquisa científica e o desenvolvimento de novos medicamentos.

Os pesquisadores detalharam quais proteínas ficam ativas em cada tecido do corpo. Os testes mostraram que os testículos precisam das proteínas mais diferenciadas para funcionar.

No estudo, a equipe de pesquisadores usou anticorpos criados para se acoplar a diferentes proteínas. Eles expuseram 32 tipos de tecido – representando todos os maiores órgãos do corpo – a esses anticorpos para verificar quais se prendiam e saber assim quais proteínas estavam ativas.

Quase mil proteínas se mostraram mais ativas no tecido dos testículos do que em qualquer outro lugar do corpo - mais precisamente, 999.

O cortex cerebral tinha apenas 318; o fígado, 172; e os músculos lisos, 0.

O coordenador do projeto Mathias Uhlen, disse que os testículos podem ser únicos devido ao complicado método de produção de espermatozóides, que precisam ter mais que o dobro de DNA que uma célula normal.

Além disso, os testículos são distintos porque se focam em produzir grande número de espermatozóides sem erros no código genético.

Mutações em uma célula normal podem eventualmente levar ao câncer. Já uma mutação nos espermatozóides pode tornar impossível que eles fertilizem um óvulo.

Maquinário

O DNA humano contém instruções para a criação de 20 mil proteínas – as peças do "maquinário" necessário para fazer nosso corpo funcionar.

A combinação de proteínas ativas em uma determinada célula determina a sua função no organismo. Uma célula responsável por filtrar o sangue no rim trabalha diferente de uma célula do cérebro, por exemplo.

A descoberta de quais funções são desempenhadas por cada proteína nas diferentes partes do corpo deve ter importantes implicações para a medicina.

"Se você estiver investigando desordens neurológicas ou cerebrais, ou ainda doenças degenerativas como Alzheimer, obviamente é interessante saber quais proteínas estão mais ativas no cérebro", disse Uhlen.

"Também há cerca de 600 proteínas que são os alvos de todas as drogas farmacêuticas, assim você pode dizer onde esses alvos estão localizados no corpo humano e ter indicativos de efeitos colaterais."

A pesquisa ajudará os pesquisadores a criar um "atlas de patologias" que mostrará o que dá errado no corpo por causa das doenças e quais proteínas estão envolvidas.

Ewan Birney, o diretor associado do EMBL (Instituto de Bioinformática Europeu) disse que o projeto pode complementar o rápido avanço da exploração do DNA.

"Será um recurso fundamental para os alicerces do Projeto do Genoma Humano", disse Birney.

Fonte: BBC Brasil

domingo, 9 de novembro de 2014

Para estudo, proteína de beterraba pode substituir sangue humano

Pippa Stephens Repórter de saúde, BBC Newsthinkstock

Uma proteína encontrada na beterraba poderia ser usada para substituir o sangue humano, de acordo com pesquisadores suecos.

A hemoglobina vegetal presente no legume é similar à hemoglobina presente no sangue humano. A proteína, que confere ao sangue a sua cor avermelhada, tem como função principal transportar oxigênio para os tecidos.

A equipe da Universidade de Lund, na Suécia, está investigando se seria possível modificar a substância da beterraba para que ela possa ser absorvida pelos tecidos humanos.

Os cientistas dizem acreditar que isso pode ser conseguido dentro de três anos. Um especialista ouvido pela BBC, no entanto, comentou que apesar de "animador", o estudo só deve trazer resultados concretos "no longo prazo".

Os suecos basearam seu estudo em um trabalho anterior, publicado pela revista científica Plant & Cell Physiology, que concluiu que a hemoglobina vegetal tinha um papel fundamental no desenvolvimento da planta.

Um dos integrantes da equipe, Leif Bulow, disse que o objetivo do grupo era encontrar uma solução para o problema da escassez de sangue.

O sangue produzido a partir da proteína da beterraba poderia ser usado, por exemplo, em transfusões de emergência (por exemplo, em pacientes que perderam muito sangue após um acidente) ou em tratamentos para câncer e doenças do sangue.

Similaridade

Durante o estudo, a proteína da planta se comportou de maneira similar à hemoglobina encontrada no cérebro - e apresentou uma estrutura similar, acrescentou Leif Bulow.

Nelida Leiva, que chefiou a pesquisa na Universidade de Lund, disse que a proteína da planta tem entre 50% e 60% de similaridade com a hemoglobina encontrada no sangue humano, mas é mais "robusta".

Ela disse que o trabalho levanta duas possibilidades: adaptar a proteína da planta para uso em humanos e usar plantas para produzir hemoglobina humana.

O próximo passo, diz a equipe, seria modificar a proteína da planta para ver se ela seria aceita por porcos e, depois, por tecidos humanos.

Comentando o estudo sueco, o cientista britânico Denis Murphy, chefe de Genômica na University of South Wales, em Cardiff, País de Gales, disse à BBC: "O estudo é bom, baseado em ciência feita com rigor, e descreve uma descoberta importante".

"Embora saibamos há várias décadas que plantas produzem proteínas similares à hemoglobina, esse estudo mostra que (essas proteínas) são mais comuns e estão envolvidas em mais processos fisiológicos do que pensávamos".

Ele acrescentou, no entanto, que a ideia de usar essa proteína para substituir a hemoglobina humana era especulação, algo possível muito a longo prazo.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Médicos que 'ressuscitam mortos' querem testar técnica em humanos

David Robson - Da BBC Futuremm,

"Quando seu corpo está com temperatura de 10 graus, sem atividade cerebral, batimento cardíaco e sangue - é um consenso que você está morto", diz o professor Peter Rhee, da universidade do Arizona. "Mas ainda assim, nós conseguimos trazer você de volta."

Rhee não está exagerando. Com Samuel Tisherman, da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, ele comprovou que é possível manter o corpo em estado "suspenso" por horas.

O procedimento já foi testado com animais e é o mais radical possível. Envolve retirar todo o sangue do corpo e esfriá-lo até 20 graus abaixo da sua temperatura normal.

Quando o problema no corpo do paciente é resolvido, o sangue volta a ser bombeado, reaquecendo lentamente o sistema. Quando a temperatura do sangue chega a 30 graus, o coração volta a bater.

Os animais submetidos a esse teste tiveram poucos efeitos colaterais ao despertar. "Eles ficam um pouco grogue por um tempo, mas no dia seguinte já estão bem", diz Tisherman.

Testes com humanos

Tisherman causou um frisson internacional este ano quando anunciou que está pronto para fazer testes com humanos. As primeiras cobaias seriam vítimas de armas de fogo em Pittsburgh, na Pensilvânia.

Nesse caso, são pacientes cujos corações já pararam de bater e que não teriam mais chances de sobreviver, pelas técnicas convencionais. O médico americano teme que, por conta de manchetes imprecisas na imprensa, tenha-se criado uma ideia equivocada da sua pesquisa.

"Quando as pessoas pensam no assunto, elas pensam em viajantes espaciais sendo congelados e acordados em Júpiter, ou no [personagem] Han Solo, de Guerra nas Estrelas", diz Tisherman.

"Isso não ajuda, porque é importante que as pessoas saibam que não se trata de ficção científica."

Os esforços para trazer as pessoas de volta do que se acredita ser a morte já existem há décadas. Tisherman começou seus estudos com Peter Safar, que nos anos 1960 criou a técnica pioneira de reanimação cardiorrespiratória. Com uma massagem cardíaca, é possível manter o coração artificialmente ativo por um tempo.

"Sempre fomos criados para acreditar que a morte é um momento absoluto, e que quando morremos não tem mais volta", diz Sam Parnia, da Universidade Estadual de Nova York.

"Com a descoberta básica da reanimação cardiorrespiratória nós passamos a entender que as células do corpo demoram horas para atingir uma morte irreversível. Mesmo depois que você já virou um cadáver, ainda existe como resgatá-lo."

Recentemente, um homem de 40 anos no Texas sobreviveu por três horas e meia com a reanimação cardiorrespiratória.

Segundo os médicos de plantão, "todo mundo com dois braços foi chamado para se revezar fazendo as compressões no peito do paciente".

Durante a massagem, ele continuava consciente e conversando com os médicos, mas caso o procedimento fosse interrompido, ele morreria. Eventualmente ele se recuperou e acabou sobrevivendo.

Esse caso de rescucitação ao longo de um grande período só funcionou porque não havia uma grande lesão no corpo do paciente. Mas isso é raro.

'Limbo'

A técnica desenvolvida agora por Tisherman é baseada na ideia de que baixas temperaturas mantêm o corpo vivo por mais tempo - cerca de uma ou duas horas.

O sangue é retirado e no seu lugar é colocada uma solução salina que ajuda a rebaixar a temperatura do corpo para algo como 10 a 15 graus Celsius.

Em experiência com porcos, cerca de 90% deles se recuperaram quando o sangue foi bombeado de volta. Cada animal passou mais de uma hora no "limbo".

"É uma das coisas mais incríveis de se observar: quando o coração começa a bater de novo", diz Rhee.

Após a operação, foram realizados vários testes para avaliar se houve dano cerebral. Aparentemente nenhum porco apresentou problemas.

O desafio de obter permissão para testar em humanos tem sido enorme até agora. Tisherman e Rhee finalmente receberam permissão para testar sua técnica com vítimas de tiros em Pittsburgh.

Um dos problemas a ser contornado é ver como os pacientes se adaptam com o sangue de outra pessoa. Os porcos receberam o próprio sangue congelado, mas no caso dos humanos será necessário usar o estoque do banco de sangues.

Se der certo, os médicos acreditam que a técnica poderia ser aplicada não só vítimas de lesões, como tiros e facadas, mas em pessoas com ataque cardíaco.

A pesquisa também está levando a outros estudos sobre qual seria a melhor solução química para reduzir o metabolismo do corpo humano.

Leia a versão desta reportagem original em inglês no site BBC Future.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Estudo testa exame de sangue para detectar câncer de pulmão

A análise detectou células cancerígenas em cinco pacientes que ainda não demonstravam sintomas e que, depois, desenvolveram câncer

O câncer de pulmão é considerado um dos mais letais, uma vez que sua detecção é feita em estágios tardios da doença

Uma equipe médica francesa anunciou neste sábado a possibilidade de detecção precoce do câncer de pulmão graças a um simples exame de sangue — feito apresentado como "inédito mundialmente". A pesquisa, publicada nesta sexta-feira na revista científica americana Plos One, foi desenvolvida pelo grupo do professor Paul Hofman, do hospital universitário de Nice, no sul da França, em parceria com um centro da Universidade de Sophia-Antipolis.

O estudo conseguiu provar a presença de células cancerígenas no sangue dos pacientes antes que uma radiografia consiguesse revelar sintomas. Em uma amostragem de 245 pessoas sem câncer, das quais 168 sofriam de broncopatia crônica obstrutiva, um fator de risco para a doença, a análise detectou células com traços do tumor em cinco delas. “Depois disso, todas elas desenvolveram câncer, o que significa 100% de sensibilidade ao teste", explicou o professor.

"Nós conseguimos provar o conceito, agora falta validar os resultados estatisticamente através de um estudo nacional", afirmou Hofman. De acordo com o pesquisador, a detecção precoce pode desempenhar um papel-chave na intervenção cirúrgica, conseguindo uma "incidência extraordinária" no campo dos câncer pulmonar invasivo.

Fonte: VEJA

sábado, 1 de novembro de 2014

Estudo revela que autismo está ligado a até 33 genes

Foto: BBC

Um enorme estudo internacional começou a desvendar os "pequenos detalhes" da razão de algumas pessoas desenvolverem autismo, informaram pesquisadores. Eles observaram milhares de amostras de DNA de crianças com autismo e de seus pais.

Os resultados, publicados na revista científica Nature, constataram que até 33 genes estão envolvidos no desenvolvimento da condição.

A National Autistic Society (NAS), no Reino Unido, no entanto, afirmou que ainda há "um longo caminho" para a descoberta das causas do autismo.

O estudo sugere haver uma série de diferentes fatores de risco para a doença, de acordo com o autor principal, professor Joseph Buxbaum, do Icahn School of Medicine at Mount Sinai New York.

"O gatilho é a genética - mas há um monte de diferentes possíveis causas", disse Buxbaum.

Análise do DNA

O autismo é um transtorno que afeta a capacidade das pessoas de se socializarem.

Os pesquisadores avaliaram 15.480 amostras de DNA para determinar o impacto de mutações genéticas passadas de pai para filho, bem como as que surgem espontaneamente.

Dos até 33 genes ligados ao autismo, 7 genes são completamente novos para os cientistas (em sua conexão com o autismo), enquanto 11 não eram considerados risco real devido à falta de dados. Do total, 15 genes já eram conhecidos como potenciais propagadores da condição.

O estudo também afirma que mutações genéticas pequenas, raras, em 107 genes podem contribuir para o risco de autismo.

Mais de 5% das pessoas autistas estudadas apresentaram mutações genéticas (com perda de funções nos genes) não herdadas.

'Detalhe mais fino'

O estudo deve ajudar a melhorar a compreensão de algumas das causas do autismo, disse o professor David Skuse, chefe da equipe de distúrbios da comunicação social, no Great Ormond Street Hospital, em Londres, e um contribuinte para o relatório.

"Até agora, nós realmente não fomos capazes de compreender os mecanismos que levam ao autismo", disse ele. "Este (estudo) chegou a pequenos detalhes".

Skuse acrescentou que o estudo poderia começar a ajudar as famílias a entender o autismo. A National Autistic Society (NAS) disse que havia muitas lacunas no conhecimento do tema.

Carol Povey, diretora do Centro para Autismo do NAS, disse: "O autismo vem de uma relação altamente complexa de genes que não apenas interagem com outros genes, mas também com fatores não-genéticos também".

"Pesquisas como esta nos ajudam a entender a genética envolvida em algumas formas de autismo e abrem a possibilidade de famílias obterem uma melhor compreensão da condição", disse ela.

"No entanto, ainda estamos muito longe de saber o que causa o autismo. O que as pessoas com a doença, suas famílias e cuidadores precisam, acima de tudo, é de acesso agora para o tipo certo de apoio, para serem capazes de levar uma vida plena", acrescentou .

Fonte: BBC Brasil

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Cientistas britânicos usam hip hop para tratar distúrbios mentais

Show de hip hop em St. Louis, EUA, dia 12 de outubro de 2014 | Foto: AP

Dois pesquisadores britânicos estão usando letras de rap para tratar pacientes com depressão, vícios e transtorno bipolar.

"O Hip Hop Psych (Psiquiatria do Hip Hop, em tradução livre) está abrindo portas para uma cultura que combine a medicina e o estilo musical, com respostas incríveis", disse a neurocientista Becky Inkster, da Universidade de Cambridge, para a BBC.

O projeto usa letras de canções ligadas à cultura do hip hop e a outros estilos musicais para ajudar pacientes com distúrbios mentais em hospitais e comunidades a se expressarem.

"Usamos isso como um veículo para nos aproximarmos de pessoas mais jovens", afirma Inkster.

"É difícil fazer contato com elas e também é difícil passar conhecimento, mas (por intermédio do) hip hop eles discutem as coisas. Podemos conversar sobre quem é melhor - (os rappers) Nas, Biggie ou Tupac - e eles realmente se abrem para o diálogo."

O site oficial do projeto afirma que "as letras de hip hop vão muito além dos xingamentos, de falar sobre dinheiro e da exploração de mulheres". "A música do hip hop está cheia de referências à saúde mental, ligadas a vícios, psicoses, desvios de conduta, transtorno bipolar e outros."

Fãs

A cientista diz que a ideia partiu de sua preferência pessoal pelo estilo musical: "Sempre fui muito fã de hip hop, mesmo que não vivesse em uma comunidade onde o estilo era popular."

Seu colega, o psiquiatra Akeem Sule, pesquisador associado do departamento de psiquiatria da Universidade de Cambridge, diz que também "ouve hip hop desde que ele começou".

"Eu queria ser rapper, mas meus pais queriam que fosse psiquiatra. Eu sou da Nigéria, e lá você tinha que fazer o que seus pais queriam."

Algumas das canções utilizadas no projeto falam das experiências dos próprios cantores com depressão e com a dificuldade de falar de traumas emocionais.

Segundo Sule, muitos pacientes jovens têm dificuldade de explicar o que se passa com eles.

"Mas se você pedir que eles cantem um rap, eles conseguem. Aí encontramos uma narrativa muito rica. Eles se abrem mais", afirma.

'Acalma a mente'

A organização de caridade britânica Key Changes já colocava em prática parte da ideia de Inkster e Sule, realizando atividades musicais com pessoas que sofrem de doenças mentais em hospitais e comunidades de Londres.

Dois participantes do projeto, Ice e Stickz, falaram à BBC sobre o papel do rap em sua recuperação.

"Em vez de ter que explicar as coisas pelas quais eu passei, faço rap sobre elas", diz Stickz, de 26 anos, que foi diagnosticado há quatro anos com transtorno bipolar e hoje é rapper.

Ele diz que a música o ajudou a recuperar a autoconfiança e a reencontrar sua personalidade.

Já Ice, também de 26 anos, toma medicamentos para esquizofrenia paranoide e pretende seguir carreira no hip hop.

"(O rap) acalma minha mente. Um dia as pessoas vão gostar da minha música. Posso ser um exemplo para as pessoas que estão passando por provações", afirma.

Fonte: BBC Brasil

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Pesquisa mostra que 40% têm lembranças da 'vida após a morte’

Crédito: Thinkstock

O maior estudo já feito sobre experiências de quase morte mostrou que cerca de 40% dos pacientes têm algum tipo de lembrança sobre o período em que estiveram clinicamente mortos e sugeriu que uma pessoa pode continuar com atividade cerebral por até três minutos após seu coração parar completamente.

Durante quatro anos, cientistas da Universidade de Southampton, na Inglaterra, analisaram os casos de 2.060 pessoas que sofreram paradas cardíacas em 15 hospitais da Grã-Bretanha, Estados Unidos e Áustria.

Entre os 330 que sobreviveram, 140 puderam ser entrevistados e, desses, 55 (39%) disseram ter alguma percepção ou lembrança do período em que estavam tecnicamente mortos.

Entretanto, apenas duas pessoas relataram lembranças precisas sobre suas experiências de quase morte.

Luz

Uma delas, um homem de 57 anos, relatou que, de um canto da sala, observou enquanto os médicos faziam o procedimento de reanimação em seu corpo.

"Ele descreveu de forma precisa as pessoas, som e atividades de sua reanimação. Os registros médicos corroboram seu relato", diz o estudo.

Baseado nos sons que ele diz ter ouvido, é possível estimar que o homem tenha ficado consciente por 3 minutos entre a parada cardíaca e a reanimação - o normal, segundo o estudo, é a ocorrência de atividade cerebral residual entre 20 a 30 segundos após a parada cardíaca.

A maior parte dos entrevistados não lembrava detalhes, mas descreveu sensações e imagens que se repetiram nos relatos. Cerca de 20% dos entrevistados disseram que se sentiram em paz, e 27% disseram que o tempo desacelerou ou acelerou.

Alguns lembraram de ver um luz brilhante, outros relataram medo, sensação de afogamento ou de ser sugado para águas profundas. Do grupo, 13% disseram que se sentiram separados de seus corpos e o mesmo número disse que seus sentidos ficaram mais aguçados que o normal.

Além disso, 8% disseram ter encontrado algum tipo de presença mística ou voz identificável, e 3% viram espíritos religiosos ou de pessoas mortas.

Ninguém relatou ter vivido experiências do futuro.

O estudo destaca que, apesar de os pacientes terem aparentemente mais tempo de consciência durante a morte clínica, as memórias deles podem ser afetadas pelo impacto do processo de reanimação no cérebro ou pelos sedativos usados.

Os autores do estudo apontaram ainda algumas limitações na pesquisa, como a dificuldade para identificar se as memórias que os pacientes que diziam ter tido durante a parada cardíaca refletiam sua percepção real.

Eles também apontaram o baixo número de paciente com memórias explícitas sobre o momento da morte clínica, o que impediu que houvesse análises mais profundas.

Fonte: BBC Brasil

sábado, 27 de setembro de 2014

Estudo diz que curry pode ajudar cérebro a se regenerar

Curry / Crédito: BBC

Um estudo alemão sugere que o famoso molho indiano curry pode ajudar a combater doenças degenerativas graves, como o Alzheimer.

Segundo a pesquisa, feita com ratos, um dos componentes que torna o curry picante pode acelerar a capacidade de regeneração do cérebro.

O estudo foi feito no Instituto de Neurociência e Medicina, na Alemanha, e publicado no jornal científico "Pesquisas e terapias com células-tronco".

Ele concluiu que um composto encontrado no açafrão-da-terra (ou curcuma) – um dos ingredientes do curry - pode estimular o crescimento de células nervosas que seriam parte do ‘kit’ de reparação do cérebro.

Cientistas avaliam que, baseado nesse estudo, é possível achar um caminho para remédios mais eficientes para tratar o mal de Alzheimer.

Mas para a pesquisadora britânica Laura Philipps ainda é cedo para tirar conclusões sobre o efeito do curry em doenças degenerativas.

"Não está claro se os resultados dessa pesquisa funcionarão também para pessoas ou se essas novas células cerebrais poderiam beneficiar quem tem Alzheimer", diz Philipps.

"Precisamos de estudos mais avançados para entender os efeitos desse componente em uma doença tão complexa como o Alzheimer - e até lá as pessoas não devem começar a estocar açafrão-da-terra."

Pesquisa

Os pesquisadores do Instituto de Neurociência e Medicina estudaram os efeitos do turmerone aromático, um composto natural encontrado no açafrão-da-terra.

Açafrão / Crédito: Thinkstock

O tumerone aromático, um componente do açafrão, pode estimular o desenvolvimento de células-tronco

Eles injetaram o componente nos ratos e, em seguida, passaram a monitorar o cérebro dos animais.

Com o tempo, notaram uma atividade maior de uma parte específica do cérebro onde há o crescimento e desenvolvimento de novas células nervosas.

Por causa desse resultado, os cientistas acreditam que o componente do açafrão-da-terra pode estimular a proliferação de células cerebrais.

Em uma parte separada do estudo, os pesquisadores mergulharam células-tronco neurais em diferentes concentrações do tumerone aromático.

Essas células têm a capacidade de se transformar em qualquer célula cerebral e os cientistas sugerem que elas poderiam ter um papel importante na reparação do cérebro após uma lesão ou doença.

Descobertas

"Em seres humanos e animais mais desenvolvidos, essas células-tronco neurais parecem não ser suficientes para reparar o cérebro, mas em peixes e pequenos animais menores funcionam bem", explicou a pesquisadora Maria Adele Rueger, que fez parte da equipe que fez o estudo.

Segundo a pesquisa, quanto maior a concentração de turmerone aromático, maior o crescimento das células-tronco neurais.

As células banhadas no componente parecem ter se desenvolvidos em células cerebrais de forma mais rápida.

"É interessante que seja possível aumentar a eficácia das células-tronco com o turmerone aromático", diz Rueger.

"E é possível que isso também possa ajudar no reparo do cérebro."

Rueger está avaliando se seria viável fazer testes em seres humanos para avançar na pesquisa.

Fonte: BBC Brasil

domingo, 21 de setembro de 2014

Fármaco mostra resultados promissores contra a hipertensão

O tratamento de ratos hipertensos com o fármaco rostafuroxina – atualmente em fase de testes clínicos – melhorou em 50% a capacidade de relaxamento das artérias, reverteu o quadro de estresse oxidativo observado no endotélio e reduziu significativamente os índices de pressão arterial dos animais.

Os dados, publicados em artigo recente do Journal of Hypertension, são de um estudo realizado com apoio da FAPESP no Departamento de Fisiologia e Biofísica do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP).

A linha de pesquisa foi apresentada pela professora Luciana Venturini Rossoni durante a 29ª Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), realizada entre os dias 27 e 30 de agosto em Caxambu (MG).

“A rostafuroxina é um fármaco antagonista das ações da ouabaína, hormônio responsável por fazer o controle fino do manuseio de sódio no rim, da volemia [quantidade de sangue circulando no corpo] e das concentrações intracelulares de cálcio nos vasos sanguíneos e no coração. Estudos anteriores mostraram que 45% dos pacientes hipertensos apresentam concentrações elevadas de ouabaína no plasma”, contou Rossoni.

Há quase 20 anos a pesquisadora vem se dedicando a estudar a participação da ouabaína nas alterações da reatividade vascular (capacidade dos vasos de contrair e relaxar) e no desenvolvimento de hipertensão arterial.

Produzida em áreas específicas do sistema nervoso central e da glândula suprarrenal, a ouabaína é capaz de inibir a ação da enzima Na+/K+/ATPase – mais conhecida como bomba de sódio (Na+) e potássio (K+) – existente na membrana das células e responsável por regular o transporte desses íons entre os meios intra e extracelular.

“A enzima Na+/K+/ATPase é de fundamental importância para manter a homeostasia [equilíbrio fisiológico da composição química dos fluidos] nas células. No caso dos vasos sanguíneos, ela controla as concentrações intracelulares de sódio e, como consequência, mantém as concentrações ideais de cálcio”, explicou Rossoni.

Em artigo publicado em 2011 no Journal of Vascular Research, o grupo do ICB-USP mostrou que era possível induzir um quadro de hipertensão em ratos saudáveis administrando doses diárias de ouabaína durante 20 semanas – até que atingissem concentrações plasmáticas similares às observadas no plasma de pacientes hipertensos.

Ao investigar os efeitos do tratamento, os pesquisadores observaram que a ouabaína aumentava a contratilidade das chamadas artérias de resistência – pequenos vasos que controlam a passagem de sangue do território arterial para o território capilar e venoso. Dessa forma, o fluxo sanguíneo era dificultado.

“Verificamos que a ouabaína, ao estimular a atividade da enzima ciclooxigenase-2 (COX2), aumenta a produção de substâncias vasoconstritoras e de espécies reativas de oxigênio. Esse aumento de oxidantes dentro da célula, por sua vez, diminui a biodisponibilidade de óxido nítrico (NO), um importante agente vasodilatador liberado pelo endotélio”, contou Rossoni.

Em outro estudo também publicado no Journal of Hypertension, os cientistas demonstraram que, em ratos geneticamente predispostos a desenvolver hipertensão – e já com níveis de pressão alterados no início do estudo –, o tratamento diário com ouabaína era capaz de aumentar a reatividade das artérias em apenas cinco semanas de tratamento.

Modelo DOCA-Sal

Nos experimentos mais recentes, o objetivo do grupo do ICB-USP era descobrir o que aconteceria nas artérias de resistência de ratos hipertensos ao serem tratados com a rostafuroxina. Para isso, usaram um modelo animal conhecido como DOCA-Sal, no qual é induzido em ratos um quadro de hipertensão relacionado ao aumento do volume de sangue circulante.

Nesse modelo, os ratos são submetidos a uma cirurgia para a retirada de um dos rins e, em seguida, passam a receber injeções semanais da droga desoxicorticosterona, cuja função é aumentar a reabsorção renal de sódio. Paralelamente, os roedores passam a receber água com concentração mais elevada de sódio.

“A pressão vai subindo até a quinta semana e, então, estabiliza. Após esse período, os animais apresentam um quadro de hipertensão severa, em torno de 180 milímetros de mercúrio (mmHg)”, disse Rossoni.

Assim que o quadro de hipertensão se estabeleceu, parte dos animais passou a receber por via oral doses diárias de rostafuroxina, enquanto outro subgrupo recebeu apenas placebo. Já na primeira semana de tratamento, o grupo que recebeu o fármaco apresentou queda na pressão arterial. Após três semanas, o valor da pressão sistólica dos animais tratados estava entre 140 e 150 mmHg, o que poderia ser considerado como hipertensão leve.

“A tendência era de queda. Talvez a pressão tivesse voltado a níveis normais se o tratamento fosse continuado por mais tempo”, avaliou Rossoni.

Segundo a pesquisadora, a administração de rostafuroxina por apenas três semanas havia sido acordada com o laboratório farmacêutico Sigma-Tau, detentor da patente, para que os resultados fossem comparáveis com os demais estudos já realizados com o fármaco.

Ao investigar o que havia acontecido com as artérias de resistência, que são de fundamental importância para o controle da resistência vascular periférica, os pesquisadores observaram a reversão total do quadro de estresse oxidativo e uma melhora de 50% na capacidade de relaxamento dependente da função das células endoteliais.

“Nos animais hipertensos, os vasos não relaxam tanto quanto deveriam. O tratamento com a rostafuroxina melhorou o quadro, embora não o tenha revertido totalmente, devido a uma maior liberação de óxido nítrico nas células endoteliais e sua menor degradação pelas espécies reativas do oxigênio”, disse Rossoni.

Ensaios clínicos

Em estudos pré-clínicos anteriores, cientistas do laboratório Sigma-Tau investigaram os efeitos da rostafuroxina no tecido renal e cardíaco. Os resultados mostraram que, nos rins, o fármaco é capaz de impedir a reabsorção de sódio induzida pela administração de ouabaína, em concentrações similares às encontradas no plasma de pacientes hipertensos. Já no coração, evitaria a formação de fibrose e hipertrofia. O grupo do ICB-USP foi o primeiro a investigar os efeitos vasculares da droga.

De acordo com Rossoni, o laboratório Sigma-Tau já realizou um primeiro ensaio clínico com o medicamento, que não foi bem-sucedido por ter incluído pacientes com quadros de hipertensão de diferentes etiologias.

Em uma segunda fase de testes clínicos, estão sendo incluídos apenas pacientes cuja hipertensão está relacionada ao aumento da volemia, contou a pesquisadora do ICB-USP.

“Estamos bastante esperançosos em relação aos resultados e acreditamos que a rostafuroxina possa em breve se tornar mais uma opção para tratar os quadros de hipertensão resistente, que geralmente requerem a associação de três ou mais drogas diferentes”, disse.

Fonte: Agência FAPESP

sábado, 20 de setembro de 2014

Antidepressivo pode mudar estrutura do cérebro, diz estudo

Exame revelou que, após três horas de ingestão de escitalopram, as conexões entre as células cerebrais diminuíram

Uma única dose do antidepressivo escitalopram (também conhecido pelo comercial de Lexapro) pode mudar a estrutura do cérebro. A mudança nas conexões cerebrais ocorre depois três horas da ingestão do medicamento. Essa é a conclusão de um estudo publicado na quinta-feira no periódico Current Biology.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Serotonergic Modulation of Intrinsic Functional Connectivity​

Onde foi divulgada: Current Biology.

Quem fez: Alexander Schaefer, Inga Burmann, Ralf Regenthal, Katrin Arélin, Claudia Barth, André Pampel, Arno Villringer, Daniel S. Margulies e Julia Sacher

Instituição: Instituto Max Planck para Cognição Humana e Ciências do Cérebro, na Alemanha.

Resultado: Ressonância magnética revelou que consumo do antidepressivo escitalopram diminuiu a conexão entre as células cerebrais de voluntários.

O escitalopram é de uma classe de medicamentos chamada de inibidores seletivos de receptação (SSRI, na sigla em inglês). Esse tipo de remédio ajusta a disponibilidade da serotonina, neurotransmissor que regula o humor, no corpo. Ele diminui a sua reabsorção pelo organismo.

O estudo observou 22 pessoas saudáveis, das quais uma parte tomou o medicamento e outra não. Cada grupo foi submetido a três ressonâncias magnéticas em dias distintos: uma sem que os participantes ingerissem qualquer substância; a segunda  três horas depois da ingestão de uma dose de Lexapro (para os voluntários que tomaram o remédio) e a última três horas depois de uma dose de placebo. Os cientistas, então, compararam as conexões cerebrais entre os voluntários em todas as fases da pesquisa.

Conexão cerebral — Os exames revelaram que diminuiu a conectividade entre as células cerebrais das pessoas que tomaram escitalopram. Além disso, as regiões do cérebro se tornaram mais interdependentes. Essa característica foi notada, principalmente, no cerebelo, que coordena o movimento voluntário, e no tálamo, responsável pela parte sensorial.

"Nós não esperávamos que esse medicamento tivesse um efeito tão eminente em um prazo tão curto e que o efeito afetaria todo o cérebro", diz Julia Sacher, do Instituto Max Planck para Cognição Humana e Ciências do Cérebro, na Alemanha.

Os cientistas dizem que os resultados são os primeiros passos para estudos clínicos que analisam pacientes que sofrem de depressão. "Entender a reação de cada cérebro pode ajudar a prever de forma eficiente quem vai se beneficiar deste tipo de antidepressivo, ou não", explica Julia.

Fonte: VEJA

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Nova droga reduz mortalidade por insuficiência cardíaca

Estudo mostrou que medicamento experimental diminuiu em 20% as mortes decorrentes da doença em comparação com o tratamento convencional

Tratamento: Insuficiência cardíaca pode ganhar novo medicamento

Tratamento: Insuficiência cardíaca pode ganhar novo medicamento (Thinkstock/VEJA)

Um medicamento experimental para combater a insuficiência cardíaca parece aumentar a expectativa de vida dos pacientes em comparação com o tratamento disponível atualmente, que já é utilizado há vinte anos. Os resultados do estudo envolvendo a nova droga foram anunciados neste fim de semana e revelam que o remédio reduziu a mortalidade pela doença em 20%, além de diminuir o risco de hospitalização devido ao problema.

O medicamento LCZ696 foi desenvolvido pela farmacêutica Novartis. Ele ainda não está disponível no mercado, mas o laboratório informou que vai entrar com pedido no FDA, a agência reguladora dos Estados Unidos, para que a droga comece a ser vendida no país no ano que vem. Não há previsão para a chegada do tratamento no Brasil.

Doença — A insuficiência cardíaca ocorre quando o coração não consegue bombear o sangue de maneira eficaz para o corpo. O problema pode acontecer de duas maneiras: a quantidade de sangue bombeada é menor do que a de um coração saudável, ou então o coração tem dificuldade de se encher de sangue, precisando fazer mais força para conseguir enviá-lo ao corpo. Embora possa acometer pessoas de todas as idades, o problema é mais comum em idosos atinge uma média de uma a cada 100 pessoas.

A pesquisa sobre o novo medicamento foi divulgada durante o congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, em Barcelona, e publicada no periódico New England Journal of Medicine. No teste, 8 442 pacientes de 47 países que tinham insuficiência cardíaca foram submetidos, durante 27 meses, a um entre dois tratamentos: com LCZ696 ou com enalapril, droga usada há vinte anos para tratar a doença.

Vantagens — Segundo o estudo, 21,8% dos indivíduos tratados com o LCZ696 morreram por insuficiência cardíaca durante a pesquisa. Entre os pacientes que receberam o enalapril, a taxa de mortalidade foi de 26,5%, ou seja, 20% superior à do remédio experimental. Além disso, o novo medicamento também reduziu em 21% o número de internações provocadas pela doença.

Os principais efeitos adversos do medicamento foram hipertensão ou pressão arterial baixa. Por outro lado, o LCZ696 parece provocar menos danos renais do que o enalapril.

“Dada a vantagem na sobrevivência do LCZ696 sobre medicamentos disponíveis, uma vez que tiver disponível, seria difícil entender médicos que continuassem optando pelos remédios tradicionais para tratar insuficiência cardíaca”, diz Milton Packer, pesquisador da Universidade do Texas, Estados Unidos, e coordenador da pesquisa.

Os resultados foram bem recebidos pela comunidade científica. “Eles são notavelmente positivos em todas as dimensões. Pacientes com insuficiência cardíaca estão ávidos, se não desesperados, por novos tratamentos”, disse Clyde Yancy, chefe de cardiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Northwestern, Estados Unidos, ao jornal The New York Times. Já o cardiologista Marc Pfeifer, do Hospital Brigham and Women, de Harvard, considerou “impressionante” a diferença da taxa de mortalidade entre o medicamento experimental e o remédio tradicional.

Fonte: VEJA