quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Google desenvolve pulseira para detectar câncer

Thinkstock

O Google está desenvolvendo tecnologia para diagnosticar câncer, ataques cardíacos e acidentes cardiovasculares iminentes, além de outras doenças, bem mais cedo do que é possível atualmente.

A empresa está trabalhando em um método que combina nanopartículas capazes de detectar doenças, que entrariam na corrente sanguínea do paciente através de uma pílula que seria engolida pelo paciente, com um sensor usado no pulso como um relógio.

A ideia é identificar até as mudanças mais sutis na bioquímica da pessoa que pudessem funcionar como um sistema de alerta.

O trabalho, no entanto, ainda está em estágio inicial.

Diagnóstico precoce é considerado a chave para tratar diversas doenças. Muitos tipos de câncer, como o pancreático, são detectados apenas depois que já se tornaram intratáveis e fatais.

Há diferenças bastante marcadas entre os tecidos cancerosos e os saudáveis. Por isso, a ambição do Google é monitorar constantemente o sangue para tentar encontrar traços de câncer, permitindo que o diagnóstico aconteça antes mesmo que os sintomas físicos apareçam.

O projeto está sendo conduzido pela unidade de pesquisa da empresa, a Google X, que se dedica a investigar inovações com o potencial de serem revolucionárias.

Ele marca o direcionamento recente da companhia para o setor de saúde, após um trabalho que desenvolveu lentes de contato que medem os níveis de glicose no sangue para pacientes com diabetes e a aquisição de uma start-up que desenvolveu uma colher que se contrapõe aos tremores causados pelo Mal de Parkinson.

O Google também comprou ações da Calico, uma empresa de pesquisa de anti-envelhecimento, e a 23andMe, que produz kits pessoais de testes genéticos.

Nanopartículas

O projeto de diagnóstico é liderado por Andrew Conrad, um biólogo molecular cujo principal trabalho anteriormente foi desenvolver um teste mais barato de HIV que se tornou popular.

"O que estamos tentando fazer é mudar a medicina de algo reativo para algo proativo e preventivo", disse à BBC. "As nanopartículas nos dão a habilidade de explorar o corpo a nível molecular e celular."

O Google está desenvolvendo um conjunto de nanopartículas que se conectam a marcadores biológicos para condições diferentes.

Elas podem, por exemplo, se conectar a uma célula cancerosa ou a um fragmento de DNA canceroso.

Outra possibilidade é que elas encontrem evidências de placas de gordura que estão a ponto de se libertar dos vasos sanguíneos. Eles podem causar um ataque cardíaco ou um derrame, se conseguirem interromper o fluxo de sangue.

Outro conjunto de nanopartículas poderia monitorar os níveis de substâncias químicas no sangue.

Altos níveis de potássio estão ligados a doenças nos rins. O Google acredita ser possível construir nanopartículas porosas que mudam de cor ao entrar em contato com o potássio no sangue.

"A partir daí você pode juntar essas nanopartículas em um único local - os vasos superficiais no pulso - porque elas são magnéticas. Em seguida, pode perguntar a elas o que elas detectaram", explica Conrad.

Nanopartículas soltas se moveriam diferentemente em um campo magnético de outras, que estejam amontoadas em volta de uma célula cancerosa.

Em teoria, programas poderiam fazer diagnósticos estudando seus movimentos.

Como parte do projeto, os pesquisadores também exploraram maneiras de usar o magnetismo para concentrar as nanopartículas temporariamente em uma área específica.

O objetivo do Google é criar uma pulseira que consiga ler as nanopartículas usando ondas de luz e de rádio uma vez por dia ou mais.

O professor Paul Workman, diretor executivo do Instituto de Pesquisa sobre o Câncer, em Londres, disse à BBC que a ideia "é maravilhosa em princípio".

Sua equipe investiga o uso de células e DNA canceroso no sangue como método de diagnóstico da doença.

'Falso positivo'

Workman alertou, no entanto, que um diagnóstico instantâneo pode aumentar a ansiedade das pessoas e levar a tratamentos desnecessários.

Por isso, segundo ele, é preciso ter "muito cuidado e fazer análises rigorosas" antes que se possa popularizar este tipo de monitoramento sanguíneo.

O projeto foi divulgado agora porque a empresa de tecnologia está buscando parcerias, mas o Google terá que enfrentar a questão dos "falsos positivos" - quando pessoas saudáveis são diagnosticadas como doentes.

O editor de saúde da BBC, James Gallagher, lembra que o mesmo debate rodeia o teste de PSA para câncer de próstata, já que a presença da enzima PSA (usada como marcador do câncer) nos homens pode aumentar mesmo sem a doença.

Thinkstock

"Há ainda a questão no diagnóstico em excesso. Quantas pessoas realmente precisam de tratamento ao serem diagnosticadas? Há uma controvérsia sobre as mamografias, por exemplo: para cada vida salva, três mulheres se submetem a tratamentos invasivos por um câncer que não seria fatal", diz Gallagher.

"Examinar o corpo em busca de doenças carrega em si muitos perigos. Se não for feito com cuidado, pode transformar todos nós em hipocondríacos."

Alto risco

O projeto das nanopartículas é o mais recente dos chamados "tiros para a lua" da unidade de pesquisa Google X.

Outros trabalhos incluem a tentativa de criar carros sem motorista e o Projeto Loon, que pretende levar o acesso à internet para áreas remotas criando uma rede de balões atmosféricos.

Tais ideias tem potencial de lucro, mas há também um alto risco de fracasso. E o Google X admite que muitos de seus projetos foram abandonados antes de se tornarem públicos.

De acordo com o editor de tecnologia da BBC, Leo Kelion, o projeto sinaliza o esforço da empresa no campo de tecnologia de saúde, mesmo que nunca saia do papel.

"A empresa nega que queria criar um serviço de diagnóstico, mas as patentes que está registrando podem se provar lucrativas", diz Kelion.

"E pode estar relacionado a isso o fato que de que o co-fundador da empresa e diretor do Google X, Sergey Brin, descobriu recentemente que uma mutação genética aumenta suas chances de desenvolver o Mal de Parkinson."

Kelion lembra, no entanto, que o Google Flu Trends - um projeto que pretendia prever a propagação do vírus da gripe com base em buscas na Internet - foi considerado um fracasso por muitos depois que pesquisadores afirmaram que, na maior parte do período de teste, ele superestimou o número de casos.

No ano passado, agências reguladoras de saúde dos Estados Unidos também proibiram a empresa 23andMe, comprada pelo Google, de vender seus kits de testes genéticos.

Por outro lado, as "lentes de contato inteligentes" do Google para diabéticos parecem promissoras. Em julho, a empresa farmacêutica suíça Novartis firmou uma parceria para licenciar a tecnologia.

Fonte: BBC Brasil

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Refrigerantes e envelhecimento celular: associações entre o consumo de refrigerantes adoçados com açúcar e o comprimento dos telômeros em adultos saudáveis

O objetivo do estudo, publicado pelo American Journal of Public Health, foi testar se a manutenção do comprimento dos telômeros de leucócitos, que pode ser relacionada ao envelhecimento celular, proporciona uma ligação entre o consumo de bebidas adoçadas com açúcar e o risco de doenças cardiometabólicas.

Os telômeros são estruturas ribonucleoproteicas nas extremidades dos cromossomoslineares que servem para proteger os cromossomos de fusão por recombinação homóloga ou não-homóloga e instabilidade. Eles se encurtam a cada divisão celular mitótica. Para manter o comprimento telomérico, células com alta capacidade proliferativa expressam a telomerase. Mas, apesar disso, células humanas demonstram encurtamento telomérico com a idade e mutações nos genes que codificam componentes da telomerase causam encurtamento telomérico excessivo, que clinicamente se traduz em anemia aplástica, fibrose pulmonar idiopática, leucemia mieloide aguda, cirrose hepática ehiperplasia nodular regenerativa do fígado.

No presente trabalho, pesquisadores da Universidade da California, em São Francisco, examinaram em estudo transversal as associações entre o consumo de bebidas adoçadas com açúcar, refrigerante diet e sucos de frutas e o comprimento dos telômeros em uma amostra nacionalmente representativa de adultos saudáveis. A população do estudo incluiu 5.309 adultos norte-americanos, com idades entre 20 e 65 anos, sem histórico dediabetes ou de doença cardiovascular, a partir dos dados do National Health and Nutrition Examination Surveys, entre 1999 e 2002. O comprimento dos telômeros dos leucócitos foi determinado a partir de amostras de DNA. A dieta foi avaliada utilizando relatórios alimentares de 24 horas. As associações foram verificadas por meio de regressão linear multivariada para o desfecho transformação logarítmica do comprimento dos telômeros.

Após ajustes para as características sócio-demográficas e de saúde, os resultados mostram que o consumo de refrigerantes adoçados com açúcar foi associado a telômeros mais curtos (b=-0,010; 95% intervalo de confiança [IC]=-0,020, -0,001; p=0,04). O consumo de 100% de sucos de frutas foi marginalmente associado a telômeros mais longos (b=0,016; IC 95%=-0,000, 0,033; p=0,05). Não foram observadas associações significativas entre o consumo de refrigerantes diet ou bebidas adoçadas não carbonatadas e o comprimento dos telômeros.

Concluiu-se que o consumo regular de refrigerantes adoçados com açúcar pode influenciar o desenvolvimento de doenças metabólicas através do envelhecimento celular acelerado.

Fonte: American Journal of Public Health, publicação online, de 16 de outubro de 2014 - NEWS.MED.BR, 2014.

sábado, 25 de outubro de 2014

FDA aprova dois novos medicamentos para tratar a fibrose pulmonar idiopática

A fibrose pulmonar idiopática (FPI) é uma condição grave, que pode levar à insuficiência respiratória crônica. Ela acomete os pulmõesdifusamente, caracterizando-se por uma fibrose, ou seja, pela deposição de tecido rico em colágeno, que guarda semelhanças àqueles das cicatrizes. Como resultado, os pacientes com FPI sentem falta de ar, tosse e têm dificuldade em realizar atividades físicas diárias. Os tratamentos atuais para FPI incluem a terapia com oxigênio, reabilitação pulmonar e transplante de pulmão.

O Esbriet (pirfenidone) atua em múltiplas vias que podem estar envolvidas na cicatrização do tecido pulmonar. A sua segurança e eficácia foram estabelecidas em três ensaios clínicos com 1.247 pacientes com FPI. A diminuição da capacidade vital forçada - quantidade de ar que pode ser expirado forçosamente a partir dos pulmões depois de uma respiração mais profunda possível - foi significativamente reduzida em pacientes que receberam Esbriet em comparação com pacientes que receberam placebo. Esbriet não é recomendado para pacientes com problemas graves de fígado, estágio final da doença renal ou que necessitam de diálise. Esbriet deve ser tomado com alimentos para minimizar o potencial de náuseas e tonturas. Os pacientes devem evitar ou minimizar a exposição à luz solar e lâmpadas solares e usar protetor solar e roupas de proteção, devido à fotossensibilidade que pode acontecer com pacientes em uso desta medicação. Os efeitos secundários mais comuns do Esbriet são náuseas, erupção cutânea, dor abdominal, infecção do trato respiratório superior, diarreia, fadiga, dor de cabeça, dispepsia, tonturas, vômitos, diminuição/perda de apetite,doença do refluxo gastroesofágico, sinusite, insônia, diminuição do peso e artralgia. Esbriet é fabricado pelaInterMune, Inc., em Brisbane, na Califórnia.

O Ofev é um inibidor da quinase que bloqueia várias vias que podem estar envolvidas na cicatrização do tecidopulmonar. A sua segurança e eficácia foram estabelecidas em três ensaios clínicos com 1.231 pacientes com FPI. A diminuição da capacidade vital forçada - quantidade de ar que pode ser expirado forçosamente a partir dospulmões depois de uma respiração mais profunda possível - foi significativamente reduzida em pacientes que receberam Ofev em comparação com pacientes que receberam placebo. Ofev não é recomendado para pacientes que têm problemas hepáticos moderados a graves. O medicamento pode causar malformações ou morte fetal. As mulheres não devem engravidar durante o uso desta medicação, portanto mulheres em idade fértil que necessitem usar Ofev devem utilizar um método contraceptivo adequado durante e pelo menos três meses após a última dose de Ofev. Os efeitos secundários mais comuns são diarreia, náusea, dor abdominal,vômitos, elevação das enzimas hepáticas, diminuição do apetite, dor de cabeça, perda de peso e pressão arterialelevada. Ofev é distribuído pela Boehringer Ingelheim Pharmaceuticals, Inc., em Ridgefield, Connecticut.

Fonte: FDA NEWS Release, de 15 de outubro de 2014 - NEWS.MED.BR, 2014.

Luz do sol pode reduzir ganho de peso e controlar diabetes, diz estudo

Sol (Thinkstock)

A exposição ao sol pode desacelerar o ganho de peso e o desenvolvimento de diabetes tipo 2, segundo pesquisa realizada em ratos.

Cientistas descobriram que a radiação ultravioleta em ratos superalimentados fez com que os animais comessem menos. Mas a vitamina D, produzida pelo corpo em resposta à luz solar, não estaria envolvida no fenômeno, disse o estudo.

Após o tratamento com luz ultravioleta, os ratos do estudo também apresentaram menores sinais de alerta de diabetes tipo 2, tais como níveis anormais de glicose e resistência à insulina (condição em que a insulina produzida pelo corpo é insuficiente ou ineficiente para processar a glicose nas células).

Estes efeitos estavam ligados ao óxido nítrico, que é liberado pela pele após a exposição à luz solar. O mesmo efeito foi obtido quando um creme contendo este composto foi aplicado sobre a pele dos ratos.

Os pesquisadores disseram que os resultados devem ser interpretados com cautela, pois ratos são animais noturnos, cobertos de pelo, e que normalmente não são expostos a muita luz solar.

A descoberta, feita por cientistas de Edimburgo (Escócia), Southampton (Inglaterra) e Perth (Austrália), foi divulgada na publicação científica Diabetes. Mais pesquisas são necessárias para descobrir se a luz do sol tem o mesmo efeito em humanos, disseram especialistas.

"Nós sabemos de estudos epidemiológicos que aqueles que tomam sol vivem mais do que aqueles que passam a vida na sombra. Estudos como esse nos ajudam a entender como o sol pode ser bom para nós", disse Richard Weller, professor de dermatologia da Universidade de Edimburgo.

"Precisamos lembrar que o câncer de pele não é a única doença que pode matar e talvez devessemos equilibrar o nosso conselho de exposição ao sol".

Shelley Gorman, do Instituto Telethon Kids, de Perth, na Austrália, e principal autora do estudo, disse que os resultados mostraram que a luz do sol era um elemento importante de um estilo de vida saudável.

"Eles sugerem que a exposição ocasional da pele à luz solar, juntamente com a prática de exercícios e uma dieta saudável, pode ajudar a prevenir o desenvolvimento da obesidade em crianças".

Fonte: BBC Brasil

Médicos fazem primeiro transplante com 'coração morto'

Cirurgiões na Austrália realizaram o primeiro transplante cardíaco usando um coração tecnicamente morto.

Os corações usados em transplantes normalmente são retirados de pacientes com morte cerebral, mas ainda com batimentos cardíacos.

Desta vez, porém, os médicos do St Vincent's Hospital, em Sydney, ressucitaram e transplantaram órgãos que haviam parado de bater até 20 minutos antes.

A técnica envolveu uma máquina que os médicos batizaram de "heart-in-a-box" (coração em caixa), que mantém o órgão aquecido. Os batimentos são então restaurados e fluidos e nutrientes são injetados para reduzir o dano muscular.

A primeira paciente a receber um transplante usando a técnica foi Michelle Gribilas, de 57 anos.

"Agora sou uma pessoa totalmente diferente", disse a mulher, que recebeu o coração dois meses atrás. "Me sinto como se tivesse 40 anos. Tenho muita sorte."

Desde então, duas outras cirurgias semelhantes foram realizadas.

A equipe responsável pelos experimentos estima que a técnica do "coração em caixa", que está em testes em todo o mundo, pode elevar em até 30% o número de vidas salvas por transplantes, devido à maior disponibilidade de órgãos.

"Esse avanço representa um passo na redução da falta de órgãos", disse o chefe da unidade de transplantes do hospital St Vincent's, Peter MacDonald.

Mais órgãos

Diferentemente de outros órgãos, o coração não é aproveitado após a chamada morte circulatória – quando cessam os batimentos cardíacos. O órgão é retirado e mantido no gelo por até quatro horas antes da operação.

Diversos métodos de aquecimento e fornecimento de nutrientes são usados para manter outros órgãos, como o fígado e os pulmões, próprios para transplante.

O diretor médico de transplantes do sistema de saúde pública do Reino Unido, James Neuberger, disse que o uso de máquinas neste campo "é uma oportunidade de melhorar o número e a qualidade de órgãos disponíveis para o transplante".

Mas ele disse que "ainda é muito cedo para estimar quantas vidas podem ser salvas por transplantes a cada ano se essa tecnologia for adotada como prática padrão no futuro".

A Fundação Britânica para o Coração descreveu a técnica como "um desenvolvimento significativo".

Fonte: BBC Brasil

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Cientistas britânicos usam hip hop para tratar distúrbios mentais

Show de hip hop em St. Louis, EUA, dia 12 de outubro de 2014 | Foto: AP

Dois pesquisadores britânicos estão usando letras de rap para tratar pacientes com depressão, vícios e transtorno bipolar.

"O Hip Hop Psych (Psiquiatria do Hip Hop, em tradução livre) está abrindo portas para uma cultura que combine a medicina e o estilo musical, com respostas incríveis", disse a neurocientista Becky Inkster, da Universidade de Cambridge, para a BBC.

O projeto usa letras de canções ligadas à cultura do hip hop e a outros estilos musicais para ajudar pacientes com distúrbios mentais em hospitais e comunidades a se expressarem.

"Usamos isso como um veículo para nos aproximarmos de pessoas mais jovens", afirma Inkster.

"É difícil fazer contato com elas e também é difícil passar conhecimento, mas (por intermédio do) hip hop eles discutem as coisas. Podemos conversar sobre quem é melhor - (os rappers) Nas, Biggie ou Tupac - e eles realmente se abrem para o diálogo."

O site oficial do projeto afirma que "as letras de hip hop vão muito além dos xingamentos, de falar sobre dinheiro e da exploração de mulheres". "A música do hip hop está cheia de referências à saúde mental, ligadas a vícios, psicoses, desvios de conduta, transtorno bipolar e outros."

Fãs

A cientista diz que a ideia partiu de sua preferência pessoal pelo estilo musical: "Sempre fui muito fã de hip hop, mesmo que não vivesse em uma comunidade onde o estilo era popular."

Seu colega, o psiquiatra Akeem Sule, pesquisador associado do departamento de psiquiatria da Universidade de Cambridge, diz que também "ouve hip hop desde que ele começou".

"Eu queria ser rapper, mas meus pais queriam que fosse psiquiatra. Eu sou da Nigéria, e lá você tinha que fazer o que seus pais queriam."

Algumas das canções utilizadas no projeto falam das experiências dos próprios cantores com depressão e com a dificuldade de falar de traumas emocionais.

Segundo Sule, muitos pacientes jovens têm dificuldade de explicar o que se passa com eles.

"Mas se você pedir que eles cantem um rap, eles conseguem. Aí encontramos uma narrativa muito rica. Eles se abrem mais", afirma.

'Acalma a mente'

A organização de caridade britânica Key Changes já colocava em prática parte da ideia de Inkster e Sule, realizando atividades musicais com pessoas que sofrem de doenças mentais em hospitais e comunidades de Londres.

Dois participantes do projeto, Ice e Stickz, falaram à BBC sobre o papel do rap em sua recuperação.

"Em vez de ter que explicar as coisas pelas quais eu passei, faço rap sobre elas", diz Stickz, de 26 anos, que foi diagnosticado há quatro anos com transtorno bipolar e hoje é rapper.

Ele diz que a música o ajudou a recuperar a autoconfiança e a reencontrar sua personalidade.

Já Ice, também de 26 anos, toma medicamentos para esquizofrenia paranoide e pretende seguir carreira no hip hop.

"(O rap) acalma minha mente. Um dia as pessoas vão gostar da minha música. Posso ser um exemplo para as pessoas que estão passando por provações", afirma.

Fonte: BBC Brasil

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Cinco alimentos que fortalecem o sistema imunológico

Você sofre de resfriados e gripes com mais freqüência do que gostaria? Existe uma maneira de evitá-los sem recorrer a remédios ou vitaminas extras.

Uma mudança na alimentação pode ser suficiente para acabar com os resfriados recorrentes. Alguns alimentos fortalecem a defesa do organismo para combater doenças e vencer a batalha contra bactérias e vírus.

"Uma dieta equilibrada que inclua legumes, frutas e outros produtos naturais é a melhor maneira de fornecer ao sistema imunológico vitaminas e minerais que vão fortalecê-lo", disse à BBC Emma Williams, da Fundação Britânica de Nutrição.

Aqui está uma lista de cinco alimentos que ajudam a combater os invasores do corpo.

Moluscos

Molusco (Thinkstock)

Esses animais marinhos, entre eles mariscos, ostras e lulas, contêm zinco, um componente essencial do sistema imunológico celular.

De acordo com um artigo na Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, no corpo humano, quando há uma deficiência deste elemento, as células de defesa (ou linfócitos), que coordenam a resposta imune celular, não funcionam de forma adequada.

No entanto, é importante ter em mente que o excesso dessa substância pode inibir o mecanismo de defesa do organismo contra a doença.

De acordo com o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS, na sigla em Inglês), a quantidade diária recomendada de zinco para as mulheres é entre 4 e 7 miligramas e para homens é entre 5 e 9 mg.

Iogurte

Iogurte (Thinkstock)

Assim como outros produtos lácteos e fermentados, esse alimento tem probióticos, também conhecidos como "bactérias boas".

São microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, são capazes de regular a resposta do sistema imunológico, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, por sua sigla em Inglês).

De acordo com um artigo da Clínica Mayo, nos Estados Unidos, os probióticos têm vários benefícios para os seres humanos, incluindo a prevenção de gripes e resfriados, além de diminuir a gravidade dos sintomas, caso a doença não possa ser completamente evitada.

Ainda segundo o mesmo documento, as "bactérias boas" também ajudam a prevenir infecções vaginais, do trato urinário e também a acelerar a recuperação de certas infecções intestinais, como a síndrome do intestino irritável.

Alho

Alho (Thinkstock)

Em testes laboratoriais, os investigadores descobriram que o alho tem propriedades que permitem combater a infecção, as bactérias, vírus e fungos.

Embora mais estudos sejam necessários para determinar os benefícios específicos dessa planta em humanos, uma pesquisa feita nos países do sul da Europa encontrou uma ligação entre a freqüência de consumo de alho e cebola e uma redução do risco do desenvolvimento de certos tipos câncer.

De acordo com a WebMD, um site americano com informações relacionadas a saúde, o alho tem uma variedade de antioxidantes que ataca os "invasores" do sistema imunológico. "Um de seus alvos é a Helicobacter pylori, uma bactéria associada com algumas úlceras e câncer de estômago."

Cereais

Cereais (Thinkstock)Vários estudos científicos sugerem que a deficiência de vitamina B6 - encontrada na aveia, no germe de trigo e de arroz - diminui a resposta do sistema imunológico.

Um exemplo disso, de acordo com um artigo na Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard, nos EUA, é a capacidade das células de amadurecerem e se transformarem em vários tipos de linfócitos.

Quantidades moderadas de cereais para complementar o nível de deficiência de vitamina B6 restaura o funcionamento do sistema imunológico.

"Grãos (carne, peixe, nozes, queijo e ovos) também têm selênio, que também beneficia o sistema imunológico, diminui as doenças infecciosas em idosos e ajuda na recuperação de crianças com infecções do trato respiratório", Williams explica.

Frutas cítricas

Laranja (Thinkstock)

De acordo com um artigo da National Library of Medicine, os resfriados de pessoas que consomem regularmente a vitamina C, presente em frutas cítricas, podem durar menos tempo e os seus sintomas nesses casos são geralmente menos graves.

"Em adultos, a duração é reduzida em 8% e em crianças por 13,6%. Estudos têm mostrado que, em pessoas que fazem exercício físico nos meses de inverno ficando exposto ao frio extremo, o consumo de vitamina C reduziu pela metade a chance de ficar resfriado ", acrescenta Williams.

Deve-se considerar, no entanto, que, uma vez que já se tem a doença, as frutas cítricas não têm efeitos terapêuticos.

A vitamina C é importante para a formação da proteína usada na pele, tendões, ligamentos e vasos sanguíneos.

Fonte: BBC Brasil

domingo, 19 de outubro de 2014

Inflação no teto eleva indexação de salários

Falta de credibilidade do BC e baixo desemprego reforçam pressão por reajustes maiores, alertam especialistas

Ao deixar a inflação beirar o teto da meta nos últimos anos, o governo tornou ainda mais difícil a tarefa de combater a alta dos preços no país. Especialistas avaliam que há um novo tipo de indexação informal na economia por causa de três fatores: a falta de credibilidade do Banco Central (BC), as expectativas de inflação em alta e o baixo desemprego. Sem saber qual será a elevação de preços no ano seguinte, já que o BC não consegue trazer o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, que mede a inflação oficial) para o centro da meta, de 4,5%, os trabalhadores pedem valores muito altos em suas negociações salariais. Esse aumento da renda realimenta a inflação.

Este ano, os pedidos de reajustes de algumas categorias ficaram na casa de dois dígitos. Esse foi, por exemplo, o caso dos bancários, que reivindicaram um aumento de 12,5% em 2014 e acabaram levando 8,5%. Os petroleiros, por sua vez, pleitearam 18% à Petrobras e conseguiram 6,5%.

BC: PREOCUPAÇÃO COM ‘DINÂMICA SALARIAL’

O próprio BC demonstra preocupação com o efeito da alta dos salários na inflação. Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC afirma que “a dinâmica salarial ainda permanece originando pressões inflacionárias de custos”. Na visão da cúpula do BC, o desemprego num patamar baixo como o atual, em 5% nas seis principais regiões metropolitanas, força os empresários a concederem aumentos salariais acima da produtividade. Ou seja, o patrão prefere arcar com um reajuste salgado do que se arriscar na busca e no treinamento de um novo funcionário, já que não há mão de obra disponível no mercado.

Quando a taxa de desemprego está alta, o empresário prefere demitir e contratar por salário mais baixo. Não é o caso agora. E, como ninguém acredita que o atual Banco Central leve a inflação para a meta de 4,5%, os trabalhadores já começam uma discussão com base na aposta do que deve ser a inflação no ano, ou seja, na casa dos 6% a 7% — analisa o especialista em mercado de trabalho José Márcio Camargo, professor do departamento de Economia da PUC-Rio e economista da Opus Gestão de Recursos.

A persistência da inflação tornou mais custoso o combate à alta dos preços, pois indexou mais os salários. Isso mostra a perda de confiança na estabilidade econômica — afirma o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega.

O professor da PUC-Rio e especialista em inflação Luiz Roberto Cunha lembra que o Brasil ainda é um país traumatizado pela hiperinflação, o que contribui para que haja uma indexação da economia:

O fator econômico e cultural é muito importante. Os brasileiros ainda buscam se proteger da inflação, porque se lembram do que era viver num período de descontrole de preços. E, quando você tem cinco anos de inflação resistentemente alta e uma impressão de que o governo foi leniente com a política monetária, é normal que se busque proteção por meio de uma indexação.

EFEITO SOBRE EXPECTATIVAS

Sobre as negociações salariais, Cunha afirma que as categorias costumam pedir reajustes acima da inflação porque sabem que, se recorrerem à Justiça, vão levar, pelo menos, a correção dos índices de preços.

É comum que a Justiça do Trabalho conceda às categorias, pelo menos, a inflação do ano anterior. Isso não existe em outros países e é, sim, um fator de indexação — afirma o professor da PUC.

Cunha lembra ainda que outros países da América Latina têm meta de inflação mais baixa que a brasileira porque suas economias são muito menos indexadas:

São economias diferentes, onde não existe um cenário como o brasileiro. No Brasil, até o salário mínimo é indexado.

Para o ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman, o remédio é recuperar a credibilidade da autoridade monetária. Para isso, seria necessário mostrar para as famílias brasileiras e para o empresariado que a meta será cumprida e que o BC não flertará com o teto. Atualmente, o IPCA acumula uma alta de 6,75% em 12 meses, acima do teto de 6,5% para o ano.

Dada a situação que a gente tem hoje, voltar para os 4,5% é o início — avalia Schwartsman.

A ideia é apoiada por Camargo, Maílson e pelo professor da Trevisan Escola de Negócios Alcides Leite. Eles sugerem que o próximo governo trabalhe para que a inflação convirja para o centro da meta, de 4,5%, o mais rápido possível.

Isso tem um efeito sobre as expectativas e ajuda a reduzir os índices de preços. O Peru, por exemplo, tem uma meta de 2% e cresce mais que o Brasil. Assim como o Chile e o México — observa Maílson.

Fonte: O Globo

sábado, 18 de outubro de 2014

Confira os jogos da próxima rodada da série B

Oeste-SP

  x  
21/10/2014 19:30

América-MG

Ponte Preta-SP

  x  
21/10/2014 19:30

Avaí-SC

Paraná-PR

  x  
21/10/2014 19:30

Portuguesa-SP

Sampaio Corrêa-MA

  x  
21/10/2014 19:30

Bragantino-SP

Icasa-CE

  x  
21/10/2014 19:30

Ceará-CE

América-RN

  x  
21/10/2014 19:30

Vasco da Gama-RJ

Joinville-SC

  x  
21/10/2014 21:50

ABC-RN

Atlético-GO

  x  
21/10/2014 21:50

Luverdense-MT

Boa Esporte-MG

  x  
21/10/2014 21:50

Náutico-PE

Santa Cruz-PE

  x  
27/10/2014 19:30

Vila Nova-GO